Isolamento e medidas agressivas para conter pandemia são positivas para a economia

Quais são as consequências econômicas de uma pandemia?

Quais são os custos e benefícios econômicos das intervenções não farmacológicas (NPI)?

O surto da pandemia por coronavírus que causa a COVID-19 provocou perguntas urgentes sobre o impacto da pandemia na economia. Quais são as consequências econômicas esperadas e como a crise deve ser gerenciada?

Um estudo sobre os impactos da Gripe Espanhola nos EUA, em 1918, nos apresenta dados importantes para que possamos aprender com o passado.

O estudo constatou que as cidades que adotaram intervenções não farmacológicas (quarentena, fechamento de escolas, isolamento social voluntário ou obrigatório, fechamento do comércio e outros) mais cedo e mais agressivas não apresentaram desempenho pior na economia e cresceram mais rapidamente após o término da pandemia.

Os resultados do estudo indicam que medidas mais agressivas e restritivas não apenas reduzem a mortalidade, elas também mitigam as consequências econômicas decorrentes de uma pandemia.

Medidas restritivas ajudam na recuperação das cidades

Os dados do estudo revelaram uma correlação positiva entre crescimento da atividade econômica real e das intervenções não farmacológicas. Esses padrões sugerem que as intervenções não farmacológicas aumentam atividade econômica, em vez de reduzi-la.

O efeito de um maior crescimento na economia em cidades que adotaram medidas restritivas pode ser observado até 1923. Não apenas a economia se saiu melhor nessas cidades, como também o emprego foi 6% maior.

Outro dado importante é que a adoção dessas medidas também teve impacto positivo de 7% no aumento da produção.

Os bancos também se beneficiaram de uma política mais severa para enfrentamento da pandemia. Uma reação mais rápida e uma implementação mais longa dessas medidas estão associadas a um maior crescimento dos ativos bancários.

No ano seguinte à pandemia da gripe espanhola de 1918, houve um aumento em ativos bancários em cidades com intervenções precoces e mais longas.

Adotar medidas dástricas para combater uma pandemia é o certo?

Uma coisa que precisamos ter como verdade é que a pandemia leva a uma queda nas atividades econômicas. Há efeitos negativos sobre a produção e ativos bancários, a pandemia deprime a atividade econômica através dos efeitos colaterais da oferta e da demanda.

As cidades que implementaram mais rapidamente e de forma agressiva o isolamento social, fechamento do comércio e outras medidas de intervenção não farmacológica não sofreram quedas piores que quem não adotou.

Porém, a economia se recuperou melhor em áreas que tomaram ações mais agressivas para combater a pandemia.

As pandemias são altamente prejudiciais para a economia. No entanto, medidas para atenuar a gravidade da pandemia podem reduzir a gravidade da crise econômica persistente. Ou seja, as medidas para combater a pandemia além de diminuir a mortalidade também são economicamente benéficas.

O estudo “Pandemics Depress the Economy, Public Health Interventions Do Not: Evidence from the 1918 Flu” foi publicado por Sergio Correia, Stephan Luck, and Emil Verner no dia 26 de março de 2020.

Fonte: pfarma.com.br

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